Renascidos das cinzas
- andredangelodomini
- 15 de nov. de 2011
- 2 min de leitura
Tais fênix, certos produtos renascem – mas não para gerar lucros, e sim nos fazer pensar.
A teoria de Marketing prevê um ciclo de vida para todos os produtos. Eles são introduzidos no mercado, vêem suas vendas crescerem graças aos esforços de divulgação, atingem uma estabilidade de demanda para, em seguida, começarem sua decadência – quando produtos melhores e mais modernos passam a substituí-los. A teoria não prevê, no entanto, um fenômeno que tem se tornado cada vez mais comum: o renascimento de produtos. Coisas que pareciam condenadas a descansar em paz têm voltado graças às tribos nostálgicas. É o caso do disco de vinil, da fita cassete, da câmera de fotografia analógica e, quem diria, da máquina de escrever. Leio no New York Times que têm ocorrido “type-ins” nos EUA – reuniões feitas por entusiastas das máquinas de escrever nas quais datilografam-se cartas e compete-se para ver que é mais rápido na digitação. Claro, a coisa toda tem um quê de fetiche, de brincadeira – mas algumas justificativas dos entusiastas das Remingtons e Olivettis servem como reflexão para os tempos que vivemos. Máquinas de escrever, eles nos lembram, servem para apenas escrever – ao contrário de smartphones e computadores. Ou seja, favorecem a concentração em uma única atividade em uma era em que a tônica é a dispersão da atenção. “Produtos renascidos” podem, no máximo, render alguns trocados para negócios de nicho, que se aproveitam da paixão de poucos aficcionados. Mas têm, quem sabe, outra função mais importante: a de nos fazer pensar sobre o modo como vivemos e o que tratamos como “evolução”. Como bem dizia o filósofo Jean-Jacques Rousseau, “a gente sempre sabe o que se ganha com o progresso. O problema é saber o que se perde”.





Comentários