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Parabéns, dona Sônia

  • 7 de ago. de 2014
  • 2 min de leitura

A Dudalina atinge um status pouco comum entre grifes brasileiras: o de ser pirateada


Personalidades públicas não costumam se incomodar quando começam a virar alvo de paródias de humoristas em programas de TV e stand-ups. Afinal, anônimos e desimportantes nunca são alvo de comediantes. Para virar motivo de imitação, há que se ter notoriedade e/ou prestígio, de modo que a paródia tende a ser vista mais como um reconhecimento do que como um escárnio pela “vítima”.

Marcas não são tão diferentes. Verdade que se importam bem mais que as celebridades parodiadas, pois o que está em jogo são sua imagem e suas vendas. No entanto, não deixam de ficar orgulhosas também: quando começam a ser copiadas, é sinal de que se tornaram referência para concorrentes e consumidores.

Até recentemente, os falsificadores de vestuário e acessório tinham como alvo preferencial grandes marcas mundiais de luxo e artigos esportivos, ícones em suas áreas. Porém, no último dia 03 de agosto, a Folha de S. Paulo mostrou que grifes nacionais começam a ser vítimas de pirataria no comércio popular da capital paulista. Entre elas, a catarinense Dudalina, marca de camisas.

A Dudalina é um grande case de marketing e de “descommoditização” de um produto (leia a respeito desse conceito em dois posts do ano passado: aqui e aqui). Acossada pela concorrência dos têxteis chineses, a empresa comandada por Sonia Hess investiu em qualidade de matéria-prima, design e comunicação, ao vestir celebridades. Passou a cobrar caro por um produto que, antes, estava condenado a disputar – e perder – consumidores com base no preço, dada a falta de diferenciais. Com isso, transformou uma fábrica de camisas em uma marca, uma grife cobiçada. Tanto que, tempos atrás, em um evento, vi um sujeito saudar o amigo recém-chegado assim: “ de Dudalina, hein? grandão!”. Vestir Dudalina passou a conferir prestígio.

Faltava somente um último reconhecimento, prestado agora pelos falsificadores paulistas. Algo que, claro, vai causar uma certa dor de cabeça para o departamento jurídico da companhia. Mas nada que deva impedir que dona Sonia e seus executivos saboreiem a vitória evidente: a empresa que vendia commodities criou uma grife cobiçada e está no rumo certo.

Parabéns, dona Sonia. A senhora fez da Dudalina uma marca grandona.


 
 
 

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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