O maior brasileiro da História
- 1 de abr. de 2011
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Em um país no qual virar funcionário público é a ambição da maioria, Barão de Mauá merece status de herói
No final do século passado, virou costume algumas revistas semanais realizarem enquetes visando eleger "o maior brasileiro da História". Os resultados não variavam muito: Rui Barbosa, Machado de Assis, Getúlio Vargas, JK. Não lembro, sinceramente, de muitas menções a Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá (1813-1889).
Barão de Mauá não ocupou cargos públicos, como todos os citados acima, mas fez tanto pelo Brasil quanto qualquer um deles - ou até mais. Gaúcho de Arroio Grande, mudou-se para o Rio no final da adolescência e foi trabalhar em uma importadora. Lá, aprendeu noções essenciais de economia e gestão e, antes dos 30, já era sócio do negócio. A partir daí, Mauá cumpriu uma trajetória ímpar para o Brasil da época e, por que não, rara até os dias de hoje: a de um empreendedor serial de sucesso, um Eike Baptista dos tempos do Império.
Começou com uma fábrica de navios, em 1846, e seguiu ao investir na produção de caldeiras, engenhos de açúcar, guindastes, armas e tubos. Em 1851, fundou o Banco do Brasil - embrião do BB que existe até hoje, surgido depois de uma fusão entre a instituição de Mauá e outros bancos da época. Tudo isso sem incentivo governamental, muito pelo contrário - foram os boicotes dos governos federais do Brasil, Uruguai e Paraguai, países nos quais Mauá tinha empresas, que o levaram à falência. Ainda assim, voltou aos negócios e refez sua fortuna.
Por que Mauá foi o maior de todos os brasileiros? Porque dedicou sua vida ao empreendedorismo, em uma época muito pouco propícia a ele (coisa, aliás, que não mudou muito no país de lá para cá). O mérito de Mauá não está apenas no fato de ter sido bem-sucedido em todos os seus negócios, acumulando fortuna. Isso, sinceramente, me parece secundário. O que é digno de aplauso era sua mentalidade; ou seja, seu jeito de ver o mundo como repleto de oportunidades de realização para aqueles que trabalhassem e corressem riscos.
Hoje, há milhões de brasileiros se preparando para concursos públicos. Não os condeno, obviamente. Em um país em que garantias essenciais inexistem, não é desabonatório querer um pouco de segurança e estabilidade. Além disso, querer correr riscos e sentir-se realizado com um negócio próprio é um traço de personalidade que nem todo mundo apresenta, e nem seria desejável que assim o fosse.
O problema é que esses milhões de futuros funcionários públicos, por melhor que sejam no desempenho de suas funções no Estado, jamais vão gerar e distribuir riqueza, pois governos dificilmente conseguem tal intento. Já empreendedores como Mauá e tantos outros, sim.
Mauá foi o maior brasileiro da História porque até hoje a mentalidade com a qual conduziu sua vida é uma exceção. E era de pessoas com a sua mentalidade que o Brasil precisava nos séculos XIX, XX, e continuará precisando no século XXI.



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