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Especialista em generalidades

  • 27 de out. de 2014
  • 2 min de leitura

E capazes de, ao analisar o seu departamento, enxergar o negócio como um todo: eis o profissional de marketing


Matéria recente do Valor Econômico trata de uma suposta mudança no perfil dos profissionais de marketing buscados pelas empresas. Segundo o texto, “a diversificação de competências (...) favorece profissionais de perfil mais generalista, em detrimento de especialistas”. (26/08/14)


O texto continua: em função das pressões por resultados imediatos, a visão desses profissionais “deve ir além das necessidades do consumidor. É preciso entender para onde o negócio caminha”.


Alguma surpresa nesses pré-requisitos? Nenhuma, a não ser a de que essas características tenham saído do radar das empresas em algum momento. Ambas habilidades – perfil generalista e visão de negócios – fazem parte da definição do marketing em si, afinal.


O marketing é uma atividade que se situa na fronteira entre a organização e o meio no qual ela opera. Suas atribuições típicas exigem que dialogue permanentemente com os outros departamentos da organização (RH, finanças, produção, TI) e com clientes, concorrentes, órgãos reguladores e sociedade.


Tal variedade de interlocuções só pode ser alcançada por profissionais de conhecimentos abrangentes, ainda que não muito profundos – generalistas, enfim. Como nos lembra José Roberto Whitaker Penteado, atual presidente da ESPM,


“as necessidades de informação para o profissional de marketing contemporâneo atingem setores tão diversos quanto a geografia, a política, a economia, a psicologia, as ciências sociais e a informática (...). O profissional de marketing, no mundo atual, é um generalista capaz de lidar e relacionar-se com um grande número de especialistas ”. (“Marketing no Brasil não é fácil. 1990, p. 4)


Como resultado, é impossível evitar o exercício constante de pensar o negócio em que se atua para além do produto ou serviço comercializado. Volta a Whitaker Penteado: “o marketing deve ser atribuição do dono da empresa, ou de seu executivo principal” (p.11)

Por isso, os tais pré-requisitos estabelecidos para os profissionais de marketing citados na matéria não são nada mais do que uma redundância em relação à natureza da atividade. Ou um sinal de que sua definição, a despeito de singela, ainda não foi bem compreendida por todos.

 
 
 

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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