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A regra é clara?

  • 7 de abr.
  • 2 min de leitura

Jargões no Direito e no serviço público criam barreiras para o cidadão


Viralizou esses dias o caso de um vestibulando que tirou zero na redação da Fuvest, o processo seletivo da USP, por usar um vocabulário excessivamente rebuscado. Postulante a uma vaga no Direito, talvez o rapaz imaginasse que, escrevendo difícil, estaria bem credenciado a um curso conhecido por formar profissionais que adoram um jargão.


Alguns representantes da categoria, contudo, têm ido em direção oposta e tentado tornar seu léxico mais compreensível. É o caso de uma juíza goiana que passou a emitir sentenças ilustradas. Em paralelo ao texto formal, divulga resultados valendo-se de infográficos, fluxogramas e ícones, e de um linguajar leigo e com frases mais curtas.


A adoção de um palavreado acessível já vem sendo considerada uma questão de cidadania. Os apelos pela linguagem clara, especialmente nos serviços públicos, são a bandeira de uma associação internacional dedicada ao assunto e começam a receber adesão no Brasil. Enquanto a prática não se dissemina, uma influenciadora faz o papel de tradutora do juridiquês nas redes sociais.


Fora da esfera legal, a simplificação também viria bem ao economês do universo dos investimentos – em favor do interesse dos próprios captadores de recursos, aliás. Pesquisa mostrou que quase três-quartos dos brasileiros recorre à internet ou a conhecidos para buscar dicas de alocação de capital, e não a assessores e analistas de bancos e corretoras. O obstáculo não está somente na terminologia técnica por vezes impenetrável, mas também no elevado grau de abstração que carrega , o que dificulta a captura da atenção e da confiança do poupador.


Diante dessas evidências, é de se especular se os revisores da Fuvest não estavam apenas se antecipando aos futuros professores e chefes do candidato e tenham tratado de corrigi-lo antes mesmo que entrasse na faculdade.

 
 
 

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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