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A origem da infedelidade feminina

  • 28 de abr. de 2023
  • 2 min de leitura

Às marcas, fique claro


Pesquisa recente apontou que 70% das mulheres optou por versões mais baratas de alguns produtos de supermercado para driblar a alta de preços, enquanto 55% dos homens tomou decisão parecida. Além disso, 70% destas shoppers fez a troca mais de uma vez desde o início da pandemia, enquanto entre eles o percentual foi de apenas 30% (leia aqui). Ou seja, as consumidoras têm sido menos fiéis às marcas do que os consumidores. Por quê?


Mulheres costumam ter atitudes mais favoráveis às compras do que homens, enxergando-as não apenas como uma obrigação, mas também como uma fonte de distração. Por isso, saem com maior frequência para consumir, nem que isso signifique apenas olhar, testar e conhecer produtos, sem necessariamente adquiri-los. É natural que, assim, acabem se tornando mais abertas a novidades e cultivando uma expertise que os homens não têm nem fazem muita questão de desenvolver – para eles, comprar é uma tarefa instrumental, tão somente.


A origem desse comportamento é histórica. Até meados do século passado, enquanto os homens trabalhavam fora, cabia às mulheres cuidar da casa, o que incluía abastecê-la. Essa obrigação lhes permitia sair do confinamento do lar e interagir com outras pessoas, caracterizando-se mais como uma oportunidade de ter interações sociais do que um problema de provimento doméstico a ser solucionado.


Ao exercer esta função, as mulheres invocaram o dever de defender os interesses da família no ponto de venda. E a melhor maneira de fazê-lo, a fim de honrar os esforços do marido provedor e de garantir o futuro dos filhos, estava em poupar. Comparar preços, ficar de olho em promoções e pensar em alternativas significava auxiliar no equilíbrio do lar.


Basta juntar A com B para entender, então, de onde vem a propensão superior das mulheres à substituir marcas: mais dispostas à experimentação, confiantes em suas habilidades de compradoras e com a responsabilidade de gerir o orçamento familiar, não admira que atualmente procurem (e encontrem) opções aos produtos habituais com muito mais frequência que os homens, pouco versados na atividade.


Agora, um detalhe interessante. Nas últimas décadas, a rotina das mulheres tem se tornado mais parecida com a dos homens, repleta de atividades fora de casa e com menos tempo e paciência para as compras do dia a dia. Especialistas afirmam que, por essa razão, o comportamento de compra delas assemelhou-se ao deles – menos detalhista e mais apressado e disposto a resolver as coisas rapidamente. Não é o que a pesquisa citada no primeiro parágrafo sugere, contudo. Aparentemente, ainda há traço fortes do know-how acumulado ao longo do tempo e do papel de shopper oficial da casa nas gerações atuais.


Ainda bem. Uma clientela mais atenta e exigente obriga as empresas a melhorar e desestimula espertezas que poderiam passar despercebidas, como falsos descontos, embalagens menores ou mudanças de fórmula. Assim como nos relacionamentos, a ameaça da infidelidade é sempre um bom motivo para não vacilar.

 
 
 

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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