• André D'Angelo

Seus problemas começaram

Acha que a pandemia termina e tudo bem? Sabe de nada, inocente


A vacinação vai avançando, os negócios reabrindo e a vida normal sendo retomada. Ufa! 2022, enfim, anuncia-se como um ano menos sofrido.


Verdade? Aparentemente sim. Ao menos no curto prazo, é o que estamos todos esperando. Mas ao dobrar a esquina, o que nos aguarda?


Segundo Paulo Vicente dos Santos Alves, professor da Fundação Dom Cabral, coisa boa não é. Em artigo recente ele enumera os potenciais riscos que ameaçam o Brasil e o mundo nos próximos dez anos.


Não são poucos: uma nova pandemia (ocorrem "a cada 6 ou 7 anos", segundo Santos Alves), ataques ciberterroristas e crime cibernéticos, volta da inflação e dos juros altos (decorrentes do aumento do consumo) e uma disputa acirrada por recursos escassos – que, conforme o autor, "inicialmente, é comercial (...) mas uma vez que os recursos ficam mais caros, (...) se torna militar".


O antídoto a toda essa miríade de riscos é preparar empresas resistentes. Ou seja, depender menos de cadeias de suprimentos longas e complexas e promover uma gestão financeira cautelosa, entre outras medidas. Como o próprio autor conclui, "podemos discutir qual será a natureza [das crises], a probabilidade ou o nível de impacto, mas com certeza elas ocorrerão" (Valor Econômico, 25/06/21).


Devidamente alertados de todas essas possibilidades, como gestores devem agir? A resposta pode estar num artigo do longínquo ano de 2003. Nele, dois autores distinguem acontecimentos negativos em dois grupos: as surpresas inevitáveis e as "surpresas previsíveis". Estas últimas – nas quais podem ser enquadradas as ameaças listadas por Santos Alves – devem ser reconhecidas, priorizadas e gerar mobilização para uma resposta preventiva.Se qualquer uma dessas medidas for ignorada, trata-se de pura e simples negligência gerencial. Afinal, surpresas previsíveis são assim: deveriam estar no radar do gestor para que as devidas providências fossem tomadas (Watkins & Bazerman, Harvard Business Review Brasil, março 2003).


E daí, a pandemia atual pode até haver terminado, mas os problemas de CEOs, VPs e diretores estarão apenas começando.