• André D'Angelo

Nem parece carro

O novo lançamento da Citroën tem potencial disruptivo?


Três anos e meio atrás, por ocasião do lançamento do Kwid pela Renault, publiquei um post perguntando se o novo modelo se candidatava a ser um carro disruptivo. E explicava o porquê do questionamento. Em sua acepção original, no livro "O dilema da inovação", o conceito de disrupção definia produtos que, na contramão da evolução típica de uma indústria, propunham-se a ser simples e baratos, atendendo a uma parcela dos consumidores que acabara desassistida com a sofisticação crescente das novidades. O Kwid poderia se encaixar nessa definição, pois oferecia o mínimo exigível a um preço competitivo.


Pois bem. Uma rival da Renault, a Citroën, lançou em fins do ano passado, na França, um veículo que radicaliza a proposta do Kwid de maneira surpreendente. "Veículo", sim, e não "carro", uma vez que suas características diferem tanto das que costumamos atribuir a automóveis que a revista IstoÉ Dinheiro preferiu definir-lhe como "mais para um quadriciclo" (matéria completa aqui).


Senão, vejamos: o Ami, da Citroën, pesa metade de um carro normal, anda no máximo a 45 km/hora, é elétrico e não exige carteira de habilitação para ser conduzido – basta ter 14 anos completos para ser pilotado. E custa a partir de 6 mil euros.


Um veículo que, a despeito de a montadora posicionar como "ultracompacto" na Europa, foi mais bem definido por um de seus executivos brasileiros: um "objeto de mobilidade não convencional e inovador".


Será este o veículo a redefinir a indústria automobilística, tornando-se, de fato, disruptivo? No Brasil, o Kwid parece ter sido bem-sucedido, mas nem de longe provocou um movimento de adesão de outras montadoras ao estilo "frugal" que propunha, condição essencial para classificá-lo com a expressão cunhada por Clayton Christensen.


Ou serão outros produtos, mais sofisticados, que irão promover a "disrupção por cima", ou seja, jogar as fronteiras da tecnologia em patamar inesperado, como o de carros voadores? Sim, porque, com o tempo, o conceito de disrupção passou a ser utilizado para rotular, também, inovações radicais que criam mercados totalmente novos – como foi o caso da internet.


Bem, já existe empresa trabalhando nessa direção. E esse será o tema do próximo post.