Nada será como antes?

01/06/2020

Exageros sobre o mundo pós-pandemia

 

Sou um pouco cético quanto a mudanças comportamentais profundas pós-pandemia. Momentos excepcionais como o atual, especialmente se revestidos de emoções inéditas, são pródigos em projeções extremadas. Contudo, a não ser que vivamos em quarentena intermitente pelos próximos dois anos, como se especula, ou que um novo surto mundial apareça em um período relativamente curto, exigindo a repetição de muitas das precauções atuais, aos poucos a velha rotina vai acabar se impondo naturalmente. Não adianta: anos e décadas são mais fortes que alguns poucos meses na construção de um hábito. Ficarão, claro, as lembranças do que vivemos no primeiro semestre de 2020, assim como as cicatrizes do desemprego, dos negócios fechados e da perda de vidas. Mas aquela história de que "mudaremos para sempre" quando tudo isso acabar me parece exagerada.

 

Daí a minha simpatia por estudos que tentam não especular sobre o pós-coronavírus e, sim, por fazer um apanhado organizado do que anda ocorrendo pelo mundo, especialmente na seara mercadológica. É o caso de levantamentos divulgados pelo Gad (disponível aqui, mediante cadastro:) e de outro, um pouco mais "antigo", feito nas primeiras semanas de pandemia, organizado pela agência Morya. Simples e honestos, não avançam o sinal com previsões estapafúrdias ou coisas do gênero: mostram como imprensa, anunciantes e consumidores andam lidando com o fenômeno atual – e ponto.

 

Ainda assim, se eu tivesse de arriscar palpites, acho que alterações pontuais podem, sim, ocorrer, especialmente na transição da quarentena para o que tem sido chamado de "novo normal". Algo mais ou menos parecido com a historieta contada pelo executivo-chefe da Fiat Chrysler na América Latina, o italiano Antonio Filosa:

 

"(...) minha avó dizia que, antes da guerra, o consumo de massas entre os italianos já era alto, mas não tanto como hoje. Durante o choque da guerra, as famílias que ficaram em casa não tinham como conservar produtos como a carne, pois tudo foi cortado, como energia e recursos. Havia muitas restrições, mas era preciso alimentar os filhos. O que era mais fácil de fazer e guardar era a massa. Mas aí começaram a criar diferentes tipos de massa, a usar diferentes condimentos e molhos. Assim, nossa tradicional cozinha de massa ficou super criativa. Quando a guerra acabou e o país começou a voltar à sua normalidade, havia milhares de receitas. Ou seja, a normalidade voltou, mas com mudanças (...)". (matéria completa aqui).

 

E então, qual será a "normalidade com mudanças" dos próximos meses e, quiçá, anos? Quais serão os equivalentes às "milhares de receitas de massas" do futuro breve? Eis o tema do post da semana que vem

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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