Vem morar no Amor...

06/02/2019

...e trabalhar na Caridade, vem

Antigamente, os nomes dos prédios eram banais, visto que insignificantes dentro da estratégia de comercialização de um imóvel. Abundavam nomes de filhos ou esposas de construtores, palavras indígenas ou nomes da própria rua em que se localizavam, quando não de cidades brasileiras conhecidas.

 

Depois, eles passaram a se tornar mais pretensiosos, sugerindo grandiosidade e luxo – foi a época dos “palácios”, “impérios” e dos cobrandings com celebridades, como Paco Rabanne. E, finalmente na década de 1990, os empreendimentos imobiliários passaram a ter um “conceito”, espécie de posicionamento que os direcionava para públicos-alvo específicos a partir da sua arquitetura, dos espaços compartilhados oferecidos e, claro, dos nomes que os identificavam, geralmente em inglês ou francês.

 

Pois bem. Uma construtora de Santa Maria (RS) parece disposta a apostar em uma nova tendência para nomeação de prédios, procurando palavras até aqui mais comuns a cultos religiosos e títulos de autoajuda do que a empreendimentos imobiliários. Em anúncio veiculado em janeiro, ela apresentava um complexo de edifícios chamado “Espírito Santo” (foto acima), formado por torres residenciais e comerciais batizadas de “Amor”, “Bondade”, “Divindade” e “Caridade”. Na entrega do primeiro dos quatro edifícios, um padre celebrou uma missa e houve apresentação de um coral. 

 

Dando uma visitada no site da construtora, vê-se que a criatividade vem de algum tempo. A empresa já ergueu edifícios com nomes de artistas conhecidos, como Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Tarsila do Amaral (com direito a reprodução do Abaporu no topo) e Di Cavalcanti, além de um poético “Águas de março”. Tudo bastante apropriado para uma empresa que define construção civil como “sinônimo de arte e de sentimento”.

 

É sempre discutível a importância do nome de um empreendimento na decisão de compra de uma sala comercial ou um apartamento, na qual critérios como localização, potencial de valorização e metragem tendem a predominar. Mas competições acirradas pedem que se lance mão de todos os recursos disponíveis na tentativa de atrair o consumidor, e os nomes de prédios têm entrado nesse arsenal. 

 

Assim como as promoções e os sorteios, também estranhos ao mercado imobiliário de outros tempos. A compra de uma unidade no “Espírito Santo”, por exemplo, dá direito a concorrer a carros de luxo como Porsche e Lamborghini – em um sinal claro de que nem só de amor vive o comprador de imóvel.

 
 
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