Clube das mulheres

13/12/2018

Negócios voltados apenas ao público feminino fazem sentido?

 

Matéria de Zero Hora de 3 de novembro destaca alguns serviços em Porto Alegre voltados apenas ao público feminino. Salão de tatuagem, coworking, academia de ginástica e consertos domésticos são exemplo de negócios criados e administrados por mulheres e destinados somente a mulheres. 

 

A pergunta inevitável: faz sentido montar um negócio que despreza metade do público-alvo potencial? Afinal, qualquer um dos serviços mencionados anteriormente é perfeitamente aplicável ao target masculino.

 

Se o mercado for maduro, faz sentido, sim. Pois é justamente nesse momento do ciclo de vida que a subdivisão em especialidades se mostra necessária para manter acesa a demanda por um produto ou serviço. E decisiva para uma empresa conseguir diferenciar a sua oferta da dos concorrentes.

 

Todos os serviços mencionados no primeiro parágrafo existem às pencas em qualquer cidade média ou grande do país. Quando optam por estreitar o alvo a ser perseguido, essas prestadoras deixam de ser apenas mais uma em um oceano de opções e passam a ser vistas como únicas em uma especialidade: o público feminino. 

 

Se forem pioneiras, tanto melhor. A segmentação por gênero acaba se tornando uma marca distintiva e funcionando como posicionamento de mercado. 

 

Não se trata, contudo, de um diferencial eterno. Mostrando-se rentáveis, esses negócios ganharão concorrentes. Por isso a escolha do target dificilmente pode ser unidimensional, mesmo nesses “clubes das mulheres”. Condições econômicas, região de moradia, idade e aspectos comportamentais acabam fazendo parte da equação com o passar do tempo, inevitavelmente.

 

São justamente esses outros atributos que acabarão se unindo ao diferencial central, baseado no gênero, para ajustar o posicionamento do negócio à medida que novos concorrentes forem aparecendo. De um estúdio de tatuagem “só para mulheres” ele pode passar a ser “exclusivamente feminino, voltado a jovens descoladas, moradoras de uma zona hipster da cidade e que não economizam na hora de adornar o próprio corpo”, por exemplo.

 

E, assim, da segmentação inicial surge uma nova segmentação, mais refinada que a anterior. E que é típica de mercados maduros, sim, mas também das economias mais pujantes e das cidades mais interessantes de se viver e visitar – pois é nelas que quase qualquer demanda acaba encontrando sua cara-metade, a oferta.

 

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