Marketing de causa...própria

01/11/2018

Um vendedor apela para uma sensível questão pessoal ao anunciar seu produto

Vender é uma arte. E é uma ciência, também, evidentemente, mas certa sensibilidade para a atividade independe de dominar técnicas expostas em livros e cursos. E no dia a dia vê-se com certa facilidade quem a tem.

 

Muitos anos atrás, lembro do colunista Paulo Sant’Ana escrever que os ambulantes de sinal de trânsito de Porto Alegre mereciam o troféu “Homem de Vendas do Ano”, oferecido à época pela ADVB-RS. Em questão de segundos, tinham de anunciar e exibir seus produtos – água mineral, protetores de para-brisa, frutas da estação etc. -, negociar com o motorista, entregar a mercadoria e devolver o troco. Tudo a cada semáforo fechado, horas e horas, durante um dia inteiro. Seria uma homenagem muito justa.

 

De lá para cá, o comércio em sinaleiras de Porto Alegre desenvolveu-se um pouco mais, chegando a incorporar pão de queijo ao seu portfólio de alimentos, assim como brinquedos piratas dos personagens infantis do momento. Mas nada que se compare a São Paulo, onde os engarrafamentos permitem a oferta de um sortimento muito maior de produtos – quanto mais extensa a “tranqueira”, mais negócios podem ser feitos. 

 

Quem se aprimorou mesmo nesses anos todos foram os pedintes dos cruzamentos. Alguns fazem malabarismos; com isso, posicionam-se como “artistas de rua”, e não mendigos. Outros são mais (tristemente) sentimentais: escrevem num pedaço de papelão que passam fome. Há os que apelam para o efeito fofura e carregam um gato ou cachorro de rua nos braços ou nos ombros. Ganham trocados que, espera-se, ajudem a alimentar também seus companheiros de labuta.  

 

Mas na categoria vendas, o melhor case que presenciei é o de um sujeito que, no último fim de semana, colocava dois saquinhos de bala presos por um grampo pendurados no retrovisor dos carros. Neles, uma mensagem típica do melhor marketing de causa...própria: “Vendo balas porque não quero morar com minha sogra. Me ajude!” (foto acima). 

 

Um apelo comovente, quase irresistível, e com o qual praticamente todo o motorista ou carona consegue se identificar. E desde já um clássico de marketing e vendas intuitivo e bem-humorado.

 

 

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