Obsolescência contestada

24/01/2018

Na França, consumidores vão à Justiça contra empresas de eletrônicos

Tudo começou na esteira da crise de 1929. Precisando vender mais produtos para os mesmos consumidores, cuja renda não aumentava, a indústria descobriu a solução para os seus problemas: fazer mercadorias menos duráveis, obrigando a troca frequente. Bernard London foi o responsável por difundir o conceito (leia o texto original em inglês aqui). 

 

De lá para cá, a obsolescência programada só fez crescer e se sofisticar, tornando-se uma marca da indústria de duráveis e semiduráveis. A de eletrônicos, então, abraçou-a com fervor. Basta ver a polêmica envolvendo a Apple e a lentidão de seus sistemas operacionais mais antigos.

 

Os consumidores, contudo, começaram a se rebelar. Primeiro, foram os tutoriais na internet, ensinando as pessoas a consertar seus próprios objetos. Depois, as oficinas voluntárias para conserto de eletrodomésticos e eletrônicos, que nasceram nos Estados Unidos. 

 

Agora, na França, uma associação entrou na Justiça contra a Apple, em razão da lentidão proposital de iPhones antigos, e contra as fabricantes de impressoras, que programam seus equipamentos para interromper o funcionamento depois de um número pré-determinado de cópias, independentemente do estado do aparelho (leia aqui).

 

Trata-se de uma notícia auspiciosa. A pressão contra os fabricantes e a cobrança de medidas regulatórias junto a órgãos estatais é um dos caminhos para reverter os danos ambientais e econômicos causados pela prática da obsolescência. 

A outra é a criação de alternativas, seja para conserto dos produtos, seja para a oferta de equipamentos de durabilidade maior, como o Fair Phone

 

Enquanto isso, seguir firme com a disseminação da informação a respeito das práticas da indústria, como fez o ótimo documentário espanhol que pode ser assistido aqui

 

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