O pouco é essencial

01/10/2015

Uma pesquisa realizada por uma consultoria com executivos das 500 maiores companhias brasileiras revelou que a carga horária tem crescido exponencialmente nos últimos. Em 2012, por exemplo, a rotina diária exigia, em média, 14 horas e 15 minutos– uma hora e 15 minutos a mais do que em 2006. No mesmo período,também aumentou o número de profissionais que trabalhavam nos finais de semana: nada menos que 85% dos entrevistados afirmavam fazer isso – em 2006, eram apenas 26%. Outro estudo, coordenado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra que meta dedos empregados acha que não separara vida profissional da particular é algo estritamente normal. “A equação quenos venderam é de que, para a vida ter sentido, é preciso consumir. E nossa renda, não importa qual seja, nunca é suficiente para isso”, relata um dos coordenadores do levantamento,recordando que um terço dos brasileiros continua ativo no trabalho mesmo depois de se aposentar. Por uma Vida mais Simples, lançado em junho por André D’Angelo, colunista de AMANHÃ e titular do blog Sr. Consumidor, é uma tentativa de mostrar que acumular bens não significa,necessariamente, ser feliz.

 

Além disso, a obra mostra que livrar-se de objetos empilhados ao longo da vida é muito difícil. “Descartá-los não deixa de ser, portanto, abrir mão de uma pequeníssima parte de nós. Daí que Marie Kondo recomende que, antes de desfazer-se de algo, agradeçamos pelo que aquilo nos proporcionou”, sugere D’Angelo. Em seu blog, ele conta detalhes e algumas curiosidades envolvendo a produção do livro. Segundo ele, o caso mais interessante com o qual se deparou foi o da jornalista e escritora Danuza Leão. “Quase que por impulso, Danuza comprou um apartamento com ametade da metragem daquele no qual vivia. Não demorou a se dar conta de que tudo o que possuía não caberia na nova moradia – livros, CDs e roupas precisariam sofrer uma espécie de downsizing antes da mudança. E sofreram. Livros e CDs foram mandados para um sebo; roupas foram vendidas para uma colecionadora. Danuza instalou-se no novo apartamentos em maiores remorsos, a ponto de conseguir fazer uma autocrítica a respeito do seu closet atual, uma fração do tamanho do anterior: ‘Eu tenho roupa demais’. É de se pensar se todos nós, caso nos submetêssemos a uma mudança como a de Danuza, descobriríamos algo parecido: são realmente poucas as coisas essenciais – e que se desfazer delas pode ser complicado de início, mas perfeitamente tolerável depois. Será?”, questiona.

 

Ao ler as histórias do livro –como a do executivo que renunciou a possibilidades de ascensão profissional em nome de uma rotina mais relaxada, ou mesmo a de um empresário milionário que mora de aluguel,dirige um carro popular e doa o que tem para a igreja – é possível se dar conta que não é preciso tanto para viver uma vida mais simples. E melhor.

 

Resenha de Marcos Graciani publicada na Revista Amanhã, Outubro/Novembro 2015.

 

 

 

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