Redator que cria, designer que escreve

05/10/2015

As multi-habilidades parecem estar em alta na publicidade também

Tempos atrás, escrevi um post a respeito da recente preferência das empresas, em seus recrutamentos, por profissionais de marketing generalistas (“Especialista em generalidades”, outubro de 2014). Estranhei que as organizações estivessem valorizando uma característica que, para mim, era inerente a qualquer bom profissional da área.

 

Agora, parece que fenômeno semelhante está se manifestando na publicidade. Washington Olivetto, em entrevista à Revista da ESPM (mar./abr. 2015) afirmou que:

 

 “(...) os novos profissionais estão se acostumando a fazer um pouco de tudo ao mesmo tempo. São publicitários que dominam diversas áreas – redação, direção de arte, planejamento, mídia –, mas que sabem fazer melhor uma dessas atividades. Eu vejo hoje grandes diretores de arte que também trabalham bem com redação, por exemplo”.

 

Mesmo sem conhecer a fundo o universo das agências de publicidade, é possível especular que, entre elas, tenha ocorrido fenômeno parecido com aquele que acometeu os departamentos de marketing das empresas. Pressionadas por verbas menores e tendo de se adaptar a uma demanda irregular, é plausível que tenham instado seus profissionais a se tornarem multitarefas. Diante de resultados positivos, transformaram um requisito temporário em um perfil ideal de profissional. 

 

Para além das óbvias vantagens econômicas, profissionais com essas características também podem contribuir para tornar o fluxo de trabalho dentro das agências mais eficiente. Historicamente, as atividades nas agências sempre foram fracionadas, como em uma linha de produção: atendimento, planejamento, criação, mídia etc. Cada publicitário se encarrega de uma tarefa específica, o que não raro rouba tempo, gera ruídos de comunicação e, por consequência, retrabalho. Dominar mais de uma área permite, em tese, resguardar melhor a integridade de um job, preservando a coerência entre as suas diferentes etapas.

 

Este parece ser mais um caso típico de mudança imposta pelo mercado que obriga profissionais e academia a se adaptarem. Embora o currículo das escolas de publicidade reproduza a superespecialização das funções das agências, incorporar atividades que exijam dos alunos várias das habilidades publicitárias simultaneamente talvez seja uma forma de preparar o estudante para a realidade que encontrará no mercado de trabalho. Por gosto ou afinidade, todo futuro publicitário acaba desempenhando melhor uma ou duas das tarefas que a profissão demanda; contudo, não pode desprezar as demais, sob pena de comprometer a própria empregabilidade.

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