Negócios bons de crise

03/08/2015

Há setores crescendo em um ano tido como perdido

Enquanto uns choram, outros vendem lenços, diz o ditado. Crises econômicas nem sempre são sinônimos de quedas no faturamento, prejuízos ou demissões. Há setores inteiros que, de um jeito ou de outro, parecem se beneficiar delas.

 

O primeiro é o dos cinemas. Até aqui, o movimento nas bilheterias foi 5% superior ao do ano passado no mesmo período. Trata-se de um comportamento histórico, até onde eu sei; por ser a diversão fora de casa mais acessível que existe – ao menos fora das grandes capitais –, os cinemas arrebanham um público que muitas vezes desiste de teatros, shows ou casas noturnas em prol de um divertimento mais em conta (saiba mais aqui).

 

Outro setor é o de cosméticos e perfumaria. Não sei a quantas andam as vendas de Avon, Natura e assemelhadas este ano, mas reza a lenda que, em ano de recessão, as mulheres trocam os grandes projetos, como troca da mobília da casa, compra de roupas caras ou planos de viagens, por indulgências mais acessíveis, nas quais se incluem maquiagem e cremes. Foi assim ao menos em 2009, quando o PIB brasileiro não cresceu, mas o do setor aumentou dois dígitos.

 

Há o caso dos programas de pós-graduação também. Em momentos de crise, “aumenta o interesse dos executivos por novos conhecimentos e competências com o objetivo de criar diferenciais” no mercado de trabalho, conforme disse um consultor ao Valor Econômico esses dias. Trata-se de um fenômeno mundial, segundo um diretor da FGV: “Quem está empregado faz o curso para continuar no emprego e quem está desempregado procura uma pós para arranjar um emprego”. Se vale um depoimento pessoal a respeito, surpreendi-me ao lecionar para 24 alunos do primeiro semestre de uma especialização em marketing, entre abril e junho passados, quando o normal era ver na sala não mais de 15 estudantes.

 

Outro fenômeno curioso é o crescimento de vendas de empresas que vendem “experiências”, como voos de asa-delta, jantares refinados ou pilotagem de carros em autódromos. As experiências são dadas pelas companhias aos funcionários que cumprem metas, a título de premiação. A crise já é suficientemente desmotivadora para quem tem a missão de vender, por exemplo; não oferecer uma premiação seria a pá de cal no ânimo de muitas equipes. Substituí-las por vale-experiências é uma saída inteligente, uma vez que sai mais barato e mantém o atrativo para o funcionário (leia mais aqui).

 

Por fim, há as empresas de aconselhamento econômico. Luiz Gonzaga Belluzzo, recém-integrado a uma nova firma de consultoria, reconhece a ambiguidade da situação: o “ambiente atrapalha, mas as demandas de aconselhamento aumentam” (notícia completa aqui). O medo faz crescer a demanda por informação, a fim de que o planejamento dos meses ou anos seguintes ocorra sobre bases mais sólidas.

 

Algo em comum entre todos esses ramos, além, claro, dos bons resultados em um ano tido como perdido? Pouco, a não ser o consolo de que a existência de setores protegidos da turbulência ajuda a manter o sistema todo de pé, evitando que uma recessão se transforme numa depressão – econômica e anímica.

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© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.

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