Eu hoje joguei tanta coisa fora...

01/07/2015

Por que é tão difícil descartar objetos?

 

Repete-se no Brasil o sucesso que “A mágica da arrumação” (ed. Sextante), da japonesa Marie Kondo, obteve no exterior. O conteúdo? Basicamente, dicas de arrumação da casa, do guarda-roupa às estantes de livros. O segredo do sucesso? Além de conselhos práticos (não guardar as meias enroladas, por exemplo), um de natureza mais espiritual, por assim dizer: só manter aquilo que nos traz alegria.

 

Fácil, não deve ser. Como nos lembram os estudiosos do consumo, consideramos nossas coisas como parte de nós. Descartá-las não deixa de ser, portanto, abrir mão de uma pequeníssima parte de nós. Daí que Marie Kondo recomende que, antes de desfazer-se de algo, agradeçamos pelo que aquilo nos proporcionou.

 

As dicas de Kondo não chegam a ser novas. Pesquisando para “Por uma vida mais simples” (ed. Cultrix), topei com um manual de simplificação da vida, lançado por um casal alemão, que recomendava coisa parecida: ao livrar-se de algo que fora ganho de presente, pensar com carinho na pessoa que o havia dado, para agradecer a generosidade e não se culpar por descartá-lo. Gandhi também dizia que, se algo traz conforto ou satisfação, deve ser mantido consigo. “Só renuncie a algo quando ele não exercer mais atração sobre você”, recomendava o líder indiano.

 

O caso mais interessante com o qual me deparei foi o da jornalista e escritora Danuza Leão. Quase que por impulso, Danuza comprou um apartamento com a metade da metragem daquele no qual vivia. Não demorou a se dar conta de que tudo o que possuía não caberia na nova moradia – livros, CDs e roupas precisariam sofrer uma espécie de downsizing antes da mudança. E sofreram – livros e CDs mandados para um sebo, roupas vendidas para uma colecionadora. Danuza instalou-se no novo apartamento sem maiores remorsos, a ponto de conseguir fazer uma autocritica a respeito do seu closet atual, uma fração do tamanho do anterior: “eu tenho roupa demais”. 

 

É de se pensar se todos nós, caso nos submetêssemos a uma mudança como a de Danuza, descobriríamos coisa parecida: a de que são realmente poucas as coisas que nos são essenciais – e que se desfazer delas pode ser complicado de início, mas perfeitamente tolerável depois.

 

Será?

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