Importante: este é um post sobre advertências

15/04/2015

Empresas criam peças involuntárias de humor na intenção de se protegerem

 

As legislações sobre direitos do consumidor trouxeram duas consequências para as empresas. A primeira, bastante positiva, foi a de se obrigarem a dosar nos apelos de venda, especialmente aqueles presentes na propaganda, evitando exageros que em outros tempos eram comuns e toleráveis. A segunda, mais anedótica, foi a de transformarem as transações de consumo em relações juridicamente mediadas, exigindo que, a cada produto ou anúncio colocado no mercado, uma série de advertências preventivas fossem registradas – geralmente sob a forma de letras miúdas nos cantos das páginas ou nas laterais das embalagens. Algo que um ex-chefe meu chamava debochadamente de ATMR – “assim tiro o meu da reta” –, uma forma de preservação corporativa para eventuais casos levados aos tribunais.

 

Esses alertas, não raros, soam estranhos, quando não risíveis ou hilários, como bem apontou o Wall Street Journal of Americas, que colecionou uma série deles – desde banners gigantes anunciando um lanche que, segundo  a ressalva, não é daquele tamanho, até o processo contra a Red Bull em função do conhecido slogan “te dá asas”. Há inclusive quem se dedique a escolher as piores advertências do ano (leia a matéria completa aqui).

 

O que o Journal não menciona é que, em alguns casos, é o excesso de zelo da empresa que acaba por causar problemas. Foi o que aconteceu com a Nestlé brasileira, que, quando do lançamento da versão bebida láctea de seu chocolate Alpino, ressalvou na embalagem, por orientação do departamento jurídico, que o produto não era feito com o mesmo chocolate do produto em barra, e sim um similar. Para quê? Alertados pela própria empresa, consumidores foram ao Procon e às redes sociais queixar-se de uma suposta fraude que, afinal, não havia: o nome fantasia não significava necessariamente que os sabores de uma versão e outra do produto se igualavam, afinal.

 

De toda maneira, os avisos são positivos, pois obrigam a comunicação das empresas a se aproximarem da realidade, tornando a relação comercial mais honesta e transparente. E se o Journal aceita uma contribuição para os anais das ressalvas bizarras, dou a minha: a caixa na qual era embalada a fantasia do Super-Homem vendida nos EUA, em cuja lateral constava a advertência: “esta fantasia não o habilita a voar”. Como bem ironizou o comediante Jerry Seinfeld, o aviso presumia que a criança que a comprasse era suficientemente inteligente para ler alertas em letra miúda nas laterais da embalagem, mas tola o bastante para acreditar que a capa vermelha a tornaria capaz de saltar pela janela e ganhar os ares tal qual seu super-herói favorito...

 

Share on Facebook
Please reload

© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.