Depois da queda, o coice

16/05/2013

Ao contrário dos produtos convencionais, os de internet entram em decadência repentinamente e não deixam vestígios

 

Uma colega comenta que já recebeu diversos convites de amigos para entrar numa nova rede social e emenda um comentário com ares de vaticínio: “Acho que o Facebook já era”. Na mesma hora, lembro de uma entrevista de um professor norte-americano, especialista em negócios digitais, que dizia que por volta de 2014 ou 2015 a rede social de Mark Zuckerberg seria superada por outras, mais segmentadas.


Na véspera, um jornal americano publicara que a quantidade de mensagens trocadas por jovens americanos via Face havia caído, em nome de aplicativos como o “What’s App”.

 

Dias mais tarde, em um blog, um post me chama a atenção: “É o começo do fim das redes sociais?”. Abaixo, traz os resultados de uma pesquisa que mostravam que os ingleses haviam passado 22% do seu tempo de navegação, em 2012, em redes sociais, ante 25% em 2011.

 

Catastrofismo? Exagero puro e simples?

 

Até pode ser, mas não sem razão. Oscilações de demanda são algo perfeitamente normal na trajetória de um produto. Geralmente, quando monitoradas de perto, permitem que ações de recuperação sejam empreendidas e o nível de vendas anterior, recobrado. E assim vai, até que o produto, em algum momento, dá sinais de que não permite recuperação e se encaminha, finalmente, para a extinção, permitindo que a empresa o substitua por outro sem maiores traumas.

 

Na internet, no entanto, as coisas funcionam de um modo um pouco diferente. Os produtos (forma pela qual chamarei sites, redes sociais e aplicativos) começam a perder usuários repentinamente e, num piscar de olhos, o que era um campeão de audiência se torna coisa do passado.

 

Foi assim com o Yahoo Search.

Foi assim com o Second Life (alguém se lembra dele?).

Foi assim com o My Space.

Foi assim com o FarmVille.

Foi assim com o Orkut.

 

Os negócios na internet não respeitam a velocidade de adoção e abandono dos produtos convencionais. As baixas barreiras de entrada e de saída, somadas ao efeito de rede de que são beneficiários e ao modismo puro e simples combinam-se para fazer de sites, redes sociais e aplicativos uma categoria à parte no tradicional ciclo de vida de produtos e serviços. Nesse cenário, qualquer oscilaçãozinha de demanda pode, sim, ser sinal do começo do fim, e motivo suficiente para qualquer gestor do ramo se preocupar.

E o mais interessante (e preocupante) disso tudo: a queda parece ser inevitável. Tentou-se salvar My Space e Orkut, por exemplo, mas estes já pareciam irredimíveis. Não havia esforço que os pusesse de pé novamente.

 

Duas reflexões a esse respeito:

 

1) Teria razão o jornalista Ross Douthat, do New York Times, que lembrou que a internet “é uma maravilha no que tange a gerar ‘diversão barata’ (...) mas  menos impressionante quando se trata de gerar empregos” e lucratividade? Nesse sentido, ele escreve, “É revelador que as empresas mais citadas como grandes sucessos da era digital, a Apple e a Amazon, adotem modelos de negócios que têm raízes firmes na produção e na distribuição de bens não virtuais” (veja artigo completo aqui, para assinantes).

 

2) O que poderia fazer uma empresa que experimenta o sucesso para se precaver do declínio? Bem, não há nada muito original a não ser: a) aprimorar o produto atual, procurando mantê-lo interessante para os usuários; e b) desenvolver novos produtos, para evitar o risco de depender de um só. À medida que o produto atual faz sucesso, ajuda a financiar não só seu próprio aprimoramento, como também seus “irmãos menores”.

De um jeito ou de outro, fica a lição de que, no negócio da internet, os paranoicos não têm lá sua razão de ser. O problema é que, às vezes, ao contrário do que Andrews Grove defendia, nem eles sobrevivem...
 

Share on Facebook
Please reload

© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.