Aurora da nossa vida?

11/12/2012

Lembrar da infância nos leva a ter comportamentos melhores

 

Segundo noticiou a Veja de 07/11/12, as fotos “assustadoras” devem sumir dos maços de cigarro em 2013. O motivo: a ANVISA descobriu que são inócuas. Martin Lindstrom, em “A lógica do consumo'” (ed. Nova Fronteira) já havia apontado isso, a partir de pesquisas feitas no exterior. As fotos podem até afastar potenciais usuários do cigarro, mas não ajudam os fumantes a largar o vício. A hipótese é que, ao ver as fotos, o fumante lembra-se que ela adorna seu objeto de adoração, o maço de cigarros – o que lhe dá mais vontade ainda de fumar.
 
Uma alternativa em estudo, por parte da ANVISA, seria utilizar “cenas plácidas”, como diz a revista – como a de “uma mulher fumando ao lado de uma criança, com uma paisagem ao fundo”. As tais cenas plácidas têm mais chance de funcionar, principalmente se utilizarem imagens infantis.
 
Ao menos é isso que sugere uma pesquisa realizada por professores de Harvard. Segundo ele, “voluntários que se lembraram da infância se mostraram mais inclinados a participar gratuitamente de outra pesquisa, e a julgar pessoas desonestas com mais rigidez, e a doar dinheiro”. Melhor de tudo: esses efeitos todos “foram independentes do conteúdo das recordações, se eram positivas ou negativas” (Mente & Cérebro, outubro/2012). A explicação dos pesquisadores para o resultado é que “esse tipo de memória parece instigar a pureza moral e valores pessoais”.
 
É de se imaginar que o mesmo aconteça nos maços de cigarro: ao verem uma criança, ou uma cena de infância retratada, os fumantes lembrarão da aurora de suas vidas, e de quão distantes daquela inocência estão ao insistirem no vício.
 
Ah, mas uma dica: de modo algum as fotos podem conter adolescentes, pois “voluntários que se lembraram da adolescência se mostraram mais flexíveis com os erros alheios e menos dispostos a ajudar”. 
 
É, da “aborrescência” pouca gente tem saudade – pais e filhos... 
 

Share on Facebook
Please reload

© 2017 André D'Angelo - Criado pela Balz Comunicação.