Então é Natal

20/11/2012

Em pleno comecinho de novembro, o comércio já antecipava o fim do ano. Por quê?

 

Quem andou por shoppings e supermercados em fins de outubro e início de novembro percebeu que as movimentações para o Natal já começavam. Panetones aqui, guirlandas ali, árvores acolá – o comércio dava a largada para a data mais importante do ano com quase 60 dias de antecedência. A questão é: por que tão cedo?
 
Há duas explicações bem práticas, e uma mais “subjetiva”, para esse fenômeno. Acho que todas são válidas, pois se complementam. Vamos a elas:
 
1. Os comerciantes tentam aquecer as vendas de meses de menor demanda, em que não há datas especiais. Ao anteciparem as comemorações previstas no calendário, tentam inocular no consumidor um vírus da compra e, assim, salvarem um mês fadado ao mau desempenho. Por isso, mal termina o Carnaval e as lojas já estão decoradas para a Páscoa, que ocorre só em abril. Finda a Páscoa, já preparam o cenário para o Dia das Mães, e assim sucessivamente: Dia dos Namorados, dos Pais, das Crianças e, finalmente, o Natal. 
 
2. Embora a maior parte das vendas para as datas especiais só ocorra na última semana, antecipar o cenário de comemoração ajuda a acostumar o consumidor com a ideia de que ele terá de se preocupar com o assunto logo adiante. Com isso, espera-se despertá-lo para a “necessidade” de comprar – e, de preferência, antecipadamente, para dar uma forcinha aos números do mês corrente e evitar as vendas perdidas típicas das lojas lotadas das vésperas.
 
3. A sociedade de consumo é uma sociedade que não permite a ausência do desejo. Ela só funciona se a cada desejo de consumo realizado emergir um outro, pedindo para ser satisfeito. Se nos satisfizermos com o que temos, a economia pára. Ora, o papel da publicidade e da ambientação das lojas é despertar esse desejo, nem que seja, na falta de argumento melhor, antecipando compras “obrigatórias”, como as de datas especiais. Acelerar a percepção de passagem do tempo cria um sentido de urgência e de renovação permanente que não dá oportunidade de o desejo se acomodar. Repare nas montadoras de automóveis: seus modelos 2013 já eram anunciados no primeiro quadrimestre de...2012!
 
No geral, é bem provável que o calendário veloz do comércio traga resultados. Mas suspeito que acarrete, também, um efeito colateral: a saturação. Quantas pessoas não suportam os apelos de venda ininterruptos e optam por ignorá-los? Quantas já não desistiram de presentear em datas especiais, preferindo apenas reunir familiares e amigos numa confraternização? 
 
Bem, se você não faz parte desse grupo...boas compras.

 

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