“Quer pagar quanto?”, versão musical

13/11/2012

Definir o preço é sedutor para o consumidor. Mas paralisante também...

 

 

Leio que o cantor Nando Reis resolveu adotar uma estratégia diferente para a comercialização de seu novo CD. Ele é vendido apenas pelo site do cantor, e o preço quem determina é “o mercado”. O usuário vai lá e diz o quanto pagaria pelo produto. Ao final de uma semana, vale a média dos preços oferecidos pelos internautas, como numa espécie de bolsa de valores.
 
A primeira que deparei com essa modalidade de “(não)-precificação” foi em uma peça de teatro de um grupo amador de Porto Alegre. Ao final da apresentação, cada um contribuía com o que achasse justo (ou possível). Fiquei me perguntando se aquela não era uma forma de arrecadar mais do que fixar um preço qualquer – primeiro, porque o espectador é instado a fazer a doação de forma quase pública, porque outros estarão na fila da saída fazendo o mesmo. Segundo, para demonstrar solidariedade com os artistas; dar uns trocados a mais do que pagaria é uma forma de estimulá-los.
 
Bem, meus palpites não têm lá muito respaldo científico, descobri recentemente. Segundo pesquisa da Universidade da Califórnia, ter de definir o preço de um produto inibe as pessoas de fazerem compras. Segundo o estudo, “o receio de parecer avarente confunde muitas pessoas na hora de determinar quanto pagar por um produto. Por isso a maioria prefere não adquiri-lo quando tem a liberdade de escolher o preço”. No experimento realizado, “os participantes hesitaram mais para efetuar a compra (do produto em teste) do que quando o preço foi fixado em 5 dólares” (Mente & Cérebro, outubro/2012). Segundo um dos autores do estudo, os participantes temiam parecer mesquinhos, algo agravado quando se acoplava ao produto uma doação para uma instituição de caridade. 
 
Esse “mal” prejudicará as vendas do CD de Nando Reis? Acredito que não. E o motivo é simples: as vendas ocorrem pela internet. O temor de parecer avarento, me parece, só seria sentido no caso de uma de uma compra presencial. Como a web protege identidades, esse medo tenderia a desaparecer. Por outro lado, o cantor pode sofrer com engraçadinhos que propõem preços irrisórios, forçando a média para baixo. A solução, nesse caso – e como em qualquer leilão –, seria fixar um preço mínimo.
 

 

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