O fardo da escolha

16/02/2011

Às vezes, o melhor mesmo é não ter opção

 

"O que você prefere: viajar com conforto ao lado de uma velhinha ou viajar sem conforto ao lado de uma gostosa?".

 

"O que você prefere: que seu melhor amigo namore a sua mãe ou que seu melhor amigo namore o seu pai?".

 

É com essas provocações bem humoradas que o restaurante L'Entrecôte de Paris, inaugurado em São Paulo no ano passado, convida a conhecer o seu diferencial: o de ser um restaurante com um único prato. Um entrecôte acompanhado de batatas fritas e nada mais.

 

Numa época de opções aos borbotões - a Coca-Cola americana testou, ano passado, uma máquina que permite 104 combinações de sabores de refrigerantes -, pode parecer um contrassenso criar um restaurante no qual o grande destaque seja a inexistência da possibilidade de escolha.

 

Mas não é.

 

Assim como atrai, a variedade de opções angustia, confunde, e, por vezes,  paralisa. Torna a escolha mais difícil e sofrida e, por isso mesmo, mais capaz de gerar frustrações. Se o sujeito for daqueles empenhados em fazer "a melhor escolha", então, é pior: mais cedo ou mais tarde, à dor do processo de escolha soma-se a inevitável insatisfação com a alternativa escolhida.

 

Por isso, em nome da sanidade, convém restringir as áreas nas quais nos dispomos a fazer escolhas, principalmente no consumo. Há quem não abra mão de um guarda-roupa farto, permitindo 1.001 combinações. Já Elio Gaspari, renomado jornalista, é diferente: tem várias calças cáqui e camisas azuis, todas iguais. Usa sempre a mesma combinação e não perde tempo nem energia com a escolha do visual todos os dias.

 

Por que de vez em quando não adotar o "método Gaspari" para a comida? A proposta do restaurante paulistano é bastante razoável: trabalhando com um único prato de ampla aceitação, simplifica-se a escolha do cliente e, obviamente, a administração do negócio. Quem sabe até o restaurante não seja especialmente talhado para o público executivo? Afinal, quem passa o dia tomando decisões - que são, no fundo, escolhas -, muitas vezes só quer mesmo é que os outros escolham por ele.

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